Yanna Karlla
Estudo Letras/Espanhol e suas respectivas Literaturas na Universidade Federal do Pampa/Jaguarão.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Eventos 2012
Colóquio Internacional Literatura e Diversidade Cultural: repensando a lusofonia. Dias 10,11 e 12 de abril de 2012, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Promovido pelo Grupo de Pesquisa Estudos Culturais e Literaturas Lusófonas (CNPq), do Núcleo de Estudos Lusófonos.
Tema: literatura e diversidade cultural
Prazo para inscrições de comunicações até: 29/2/2012
Prazo para inscrições como ouvinte: até 10/4/2012
Inscrições: http://www.pucrs.br/adm/proex/cursoseeventos/
Contato: coloquiolusofoniapucrs2012@gmail.com
III CONGRESSO INTERNACIONAL DE LEITURA E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
II FÓRUM LATINO-AMERICANO DE PESQUISADORES DE LEITURA
09, 10 e 11 de maio
PUCRS – Porto Alegre
2º CIELLI – Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários
5º CELLI – Colóquio de Estudos Linguísticos e Literários
13, 14 e 15 de junho
UEM – Universidade Estadual de Maringá
http://www.cielli.com.br/
Tema: literatura e diversidade cultural
Prazo para inscrições de comunicações até: 29/2/2012
Prazo para inscrições como ouvinte: até 10/4/2012
Inscrições: http://www.pucrs.br/adm/proex/cursoseeventos/
Contato: coloquiolusofoniapucrs2012@gmail.com
III CONGRESSO INTERNACIONAL DE LEITURA E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
II FÓRUM LATINO-AMERICANO DE PESQUISADORES DE LEITURA
09, 10 e 11 de maio
PUCRS – Porto Alegre
2º CIELLI – Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários
5º CELLI – Colóquio de Estudos Linguísticos e Literários
13, 14 e 15 de junho
UEM – Universidade Estadual de Maringá
http://www.cielli.com.br/
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Poema Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond De Andrade
Preso à minha classe e a algumas roupas,Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me'?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobrefundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.As coisas.
Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornaise soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvoe dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia.
Mas é uma flor.
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Preso à minha classe e a algumas roupas,Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me'?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobrefundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.As coisas.
Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornaise soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvoe dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia.
Mas é uma flor.
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
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